terça-feira, 15 de novembro de 2011

A história da Rua B 45 - Parte II


 Não diferente das outras áreas do bairro, nesta rua houve casos de casas serem pontos de pico de drogas, suicídio, prostíbulo e assassinato. Porém, é interessante perceber que na memória prevalecem momentos de comunhão entre os moradores. Estes, são eventos como o São João com bandeiras espalhadas pela rua como decoração, onde as pessoas unem-se no evento e compartilham  fogueiras e comidas típicas. Ainda faz parte da rotina os jogos de futebol assistidos na rua com a televisão emprestada do vizinho, os jogos de futebol entre os meninos que sempre pára para a passagem de carros ou as brincadeiras de esconde-esconde entre crianças no período da noite.
As conversas na porta dos vizinhos com bancos e assentos construídos com cimento abaixo de arvores ainda acontecem, e a distribuição de pedaços de bolos  e doces feitos em casa fazem parte da convivência. O apelido antes pejorativo de “interior de Maceió”, talvez caiba aqui, pois o clima típico de interior com pessoas na porta até a hora a novela das 8h, o fato de “todo mundo conhecer todo mundo”, os lanches compartilhados nos faz ter um sentimento de resguardo de épocas antigas e pouco vividas em que muito se perdeu com a correria do dia-a-dia.
Tais atividades tem sido passada pelas gerações, se antes tínhamos marcas precisas de gerações como pais e filhos , hoje somos distribuídos entre bisavós, avós, pais, filhos e sobrinhos, a mistura entre idades está mais evidente e o número tem aumentado consideravelmente entre as pessoas da rua.
Com isso uma das mudanças que destacam-se no cenário referem-se as casas antes pequenas com muros de 1,50m, hoje temos muros altos, casas maiores e de primeiro andar, verdes, amarelas, brancas e apenas com tijolos, cada qual com sua cara. Pequenos comércios também se formaram entre bar, pequenas lojinhas de doces e sorvetes, como também, uma clínica de odontologia. As árvores quase não existem mais, porém as que prevalecem são rodeadas e disputadas pelas crianças que passam o dia subindo nos galhos e arrancando as folhas.
De fato desenvolvemos bastantes, é perceptível as mudanças econômicas que nos atingiram e como elas modificaram os hábitos. Não dormimos mais de porta  aberta e os muros não foram erguidos por questões estéticas. Nos acostumamos aos poucos com a presença da cavalarias da polícia, os seguranças particulares, apesar de tentarmos prevalecer com a vida que tínhamos a não muito tempo! Se tínhamos apenas uma pessoa com formação superior em nossa rua, hoje, somos dezesseis que terminaram seu ensino superior ou que está em andamento, sendo uma, com título de mestrado e uma com especialização em sua área de atuação.
  Dos 25 anos de existência deste bairro eu tenho 21 anos de participação de sua história e ele na minha. O contexto a qual estamos inseridos e aquilo que eles nos oferecem são importantes em nossas decisões, pois nossa história é guiada pelo caminho que escolhemos.  Temos crescido socialmente e economicamente e, evidentemente, tais mudanças trouxeram consequências em nossa história e no percurso que a história de nossa rua tem trilhado. Diante  das mudanças que temos percebido nestes últimos anos certamente  estas  foram guiadas pelo bem estar social e a meta de mudanças no estilo de vida dos moradores em busca de melhores condições de vidas explicitas nas lutas maciças por melhores escolas, um maior nível de instrução, cursos profissionalizantes, áreas de lazer, projetos sociais e incentivos comerciais com ampliação de empregos no próprio bairro.

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