O livro didático acabou por assumir um papel fundamental nas escolas como ferramenta para o processo de aquisição de conhecimento. Contudo, para tal, seu uso requer cuidados necessários, pois como destaca Bittencourt (2004) o material didático acarreta uma ideologia política que o professor e a comunidade escolar devem estar atentos para sua proposta. Logo podemos perceber que o mesmo traz uma seleção de conteúdos, um currículo pautado num discurso, muitas vezes alicerçado num ideal elitistas sob um olha que pode apresentar uma única idéia sobre fatos organizado de forma fragmentada e vinculadora de valores.
Não busca-se aqui dizer que o livro didático não é válido para o processo de ensino aprendizagem. De certo este auxilia o professor contribuindo com informações, propostas metodológicas e dicas que podem enriquecer a prática sua prática profissional. Entretanto, o docente e a escola como um todo, inclusive os alunos devem utilizá-lo sabendo que não existe uma verdade absoluta, os fatos são relativos e os discursos que os seguem podem favorecer ou desfavorecer determinados grupos. Isso nos leva a reconhecer a importância de se buscar outras fontes de pesquisa que colaboram para a construção de uma idéia e posicionamento sobre os assuntos estudados.
Diante disto, não podemos dizer que o livro didático é ou não um inimigo do professor. Na realidade o que pode caracterizá-lo é a forma como o utilizamos e apresentamos aos alunos, como uma fonte de pesquisa e material para construção de conhecimento ou, se este, é um único instrumento que traz a verdade sobre fatos.
Referência
BITENCOURT, C. M. F. Livros e materiais didáticos de história. In:________. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004. P. 295-321.